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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Samba de Coco nos dias de chuva

Sábado chuvoso em São Paulo, gente aflita, quando chove não tem Maracatu. Mesmo assim mais de 100 pessoas esperançosas permaneceram no Alves Cruz até as 16hrs quando o Guga apitou, foi até o microfone e disse que tinha alguns informes e duas propostas de atividade. Falou brevemente sobre a apresentação no dia seguinte e disse que poderíamos fazer um papo sobre Maracatu ou cantar nossas toadas para entender erros e ir decorando as coisas que não sabíamos, foi quando uma voz bendita (acho que a do Jota) se sobrepôs ao murmurinho: "... ou então poderíamos fazer um Coco!". As pessoas se agitaram, o Jesum que entende do assunto montou logo o time de batuqueiros, todos começaram a bater palmas e a primeira toada dizia: "... a sandália ta pesada, o tem barro tem, a sandália ta pesada, o tem barro lá... eu sou Coqueiro eu sou bicho cantador, eu sempre batuco Coco seja o tempo que for...". E assim foi até pouco depois das 17hrs quando ainda tinha gente pedindo bis.
Pena que um monte de gente foi embora antes das quatro! Pra quem foi embora fica o aviso e pra quem ficou o agradecimento pela tarde em que relembramos a velha máxima: " faça chuva ou faça sol, todos os sábados estamos aqui".

sábado, 8 de março de 2008

COMO O MARACATU É VISTO HOJE

SUCESSO E VARIEDADE

Os maracatus, seja do tipo nação, seja de orquestra, vivem sua época áurea. Há discos nas lojas, trajes como o do caboclo de lança são vendidos no carnaval, há páginas e mais páginas sobre o ritmo na internet. Hoje fazem parte da abertura oficial do carnaval recifense, em uma cerimônia na qual ocorre a entrega das chaves pelo prefeito para o rei momo e a rainha do carnaval, em pleno coração da parte antiga da cidade: o Marco Zero. Pelo menos seis maracatus-nação gravaram seus CDs: Estrela Brilhante do Recife, Porto Rico do Pina, Cambinda Estrela, Encanto da Alegria, Leão Coroado e Estrela Brilhante de Igarassu. Quanto aos de orquestra, Cruzeiro do Forte, mestre Barachinha e mestre João Paulo já gravaram, entre outros. Também os gravou mestre Salustiano, com a presença de músicos como Siba e sua banda Mestre Ambrósio. Salustiano ainda colaborou para popularizar outros ritmos, como o cavalo-marinho, o coco e o forró.


Atualmente existem mais de 30 grupos de maracatus-nação filiados à Federação Carnavalesca e pelo menos 20 disputam o concurso de agremiações nos oito últimos anos – até a década de 1980, não desfilavam mais do que sete grupos. Katarina Real, antropóloga estadunidense, afirma na obra O Folclore no Carnaval do Recife que existiam entre os anos 1961 e 1966 apenas cinco grupos.


Hoje, além dos denominados, por alguns estudiosos e folcloristas, como tradicionais, há diversos considerados “estilizados” ou “parafolclóricos”. Ao contrário dos tradicionais, reproduzem apenas partes das nações de maracatu, a exemplo de seu conjunto musical e alguns personagens do cortejo. Muitos, no entanto, restringem-se à percussão.


ACEITAÇÃO

Nas décadas de 1950 e 1960, o maracatu de baque virado obteve certa aceitação social, alçado à condição de parte da nossa tradição africana, componente da teoria do Brasil mestiço, formado pelas três raças, dando suporte ao mito da democracia racial. O maracatu de orquestra foi considerado como uma deturpação, uma descaracterização do modelo tradicional, o baque virado. Foi criticado e mesmo perseguido até os anos 1970, quando chegou a ser proibido de desfilar na passarela oficial da cidade durante o carnaval de 1976. Os maracatus de orquestra só adquiriram visibilidade e sucesso nos anos 1990, muito graças à influência de seu resgate pelos jovens sintonizados à cultura pop da época, organizadores do famoso Mangue Beat (veja o quadro “Ícones pop”).


Os maracatus, tanto os de orquestra como os do tipo nação, constituem atualmente um importante símbolo da identidade pernambucana. Sofreu até mesmo uma espécie de desafricanização: um “embranquecimento”. Esse processo histórico acelerou-se nos últimos anos, conferindo-lhe um caráter mais voltado para o espetáculo, vinculado ao turismo e ao mercado de world music. Afora isso, os maracatus hoje são vistos como autêntica cultura pernambucana. É difícil imaginar que até há pouco tempo, sobretudo nos anos 1980, eram rejeitados e marginalizados por uma sociedade consumista e preconceituosa. É parte dessa mesma sociedade que valoriza e se orgulha dos maracatus produzidos em Pernambuco no século 21.

FONTE:http://www.desvendandoahistoria.com.br